Mulher trans denuncia youtuber Fernando Drummond Fernandes por estelionato amoroso e campanha difamatória
Mulher trans denuncia youtuber por estelionato amoroso e diz ter enviado mais de R$ 40 mil
Mais uma denúncia grave se soma ao histórico de acusações que cercam o youtuber Fernando Drummond Fernandes, responsável pelo canal “Arquivo Estranho”. Desta vez, a vítima é uma mulher trans, que, por razões de segurança, será identificada nesta reportagem pelo nome fictício de Lara.
Segundo relato concedido à reportagem, o relacionamento teve início em outubro, estendendo-se até dezembro, período em que Lara afirma ter sido envolvida em uma trama marcada por mentiras, manipulação emocional e pedidos recorrentes de dinheiro. A ruptura ocorreu quando a vítima descobriu que Fernando mantinha uma vida dupla, incluindo um relacionamento simultâneo com uma mulher identificada como Bruna.
Confrontado com provas da infidelidade, Fernando — ainda segundo Lara — negou os fatos reiteradamente, chegando a fazer juras em nome da saúde de sua própria mãe, numa tentativa final de sustentar a narrativa construída. A estratégia, porém, ruiu diante das evidências.
Dinheiro, falsas causas e manipulação emocional
Lara relata ter transferido ao youtuber cerca de 6 mil euros, valor que ultrapassa quarenta mil reais, após sucessivos pedidos de “ajuda financeira”. Os recursos teriam sido solicitados para finalidades diversas: compra de eletrodomésticos, custeio de uma cirurgia veterinária e, principalmente, para atingir metas financeiras ligadas ao canal no YouTube.
Parte dessas arrecadações era apresentada como uma vaquinha solidária destinada à cirurgia de pessoas trans, causa que, segundo Lara, ela acreditava ser legítima. No entanto, a vítima afirma que Fernando simulava doações de terceiros, quando, na prática, era ela quem cobria as metas para evitar o fracasso público da campanha e preservar a imagem do youtuber.
“Eu acreditava na causa, acreditava no discurso. Ele se colocava como alguém perseguido, injustiçado, sempre à beira do colapso. Hoje vejo que era um roteiro”, relata.
Promessas de casamento e migração para a Europa
Ainda conforme o depoimento, Fernando teria feito juras de amor, prometido casamento e afirmado que se mudaria para a Espanha, onde passariam a viver juntos. Lara destaca que ele afirmava não ver qualquer problema no fato de ela ser uma mulher trans — discurso que, segundo a vítima, contrastaria radicalmente com as agressões posteriores.
Acusações, difamação e transfobia
Após o rompimento, Lara afirma ter se tornado alvo de uma campanha difamatória, conduzida por Fernando e por sua companheira Bruna. Entre as acusações estariam tráfico de pessoas, prostituição e insinuações criminosas, além de ataques de cunho homofóbico e transfóbico.
Em relato emocionado, Lara reage:
“Nunca trafiquei pessoas, nunca levei ninguém para fora do país com falsas promessas. Isso é uma mentira cruel, construída para me destruir moralmente e para desviar o foco dos atos dele. Estão usando minha identidade trans como arma, como se isso me tornasse automaticamente criminosa.”
Segundo ela, as acusações seriam uma cortina de fumaça, destinada a intimidar a vítima, descredibilizar sua palavra e encobrir possíveis crimes, além de expor, de forma velada, conflitos ligados à sexualidade do acusado — tema que, frisa, não justificaria crimes ou violência.
Padrão recorrente
Fernando Drummond Fernandes já é citado em outras denúncias públicas como suspeito de estelionato amoroso, sempre com um modus operandi semelhante: aproximação emocional, vitimização constante, pedidos financeiros e posterior ruptura acompanhada de ataques à reputação das mulheres envolvidas.
Caso ganha repercussão
A jornalista Alinne Werneck entrevistou Lara em uma transmissão no YouTube, ampliando a visibilidade do caso e atraindo atenção de entidades jurídicas e de direitos humanos.
Lara afirma que já constituiu equipe jurídica e que seguirá “até as últimas consequências” para responsabilizar seu agressor. Segundo ela, Fernando, sua companheira e até familiares próximos serão acionados judicialmente por corrupção passiva, injúria, homofobia e transfobia, conforme o desenrolar das investigações.
Cooperação internacional
De acordo com a vítima, o consulado europeu já foi oficialmente informado e deverá colaborar com as autoridades brasileiras nas apurações, uma vez que parte dos fatos envolve transferências internacionais e promessas de migração.
O caso agora entra em uma nova fase: a judicial. Para Lara, não se trata apenas de reparação financeira, mas de romper o ciclo de violência, manipulação e silenciamento imposto, segundo ela, a mulheres — especialmente mulheres trans — que ousam denunciar.



















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