Mesmo após o mandato desastroso de Robério Oliveira e de Cláudia Oliveira, uma pergunta insiste em ecoar pelas ruas de Eunápolis: a família DAPÉ realmente se considera merecedora de uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia?
A cidade parece caminhar perigosamente para o esquecimento. Eunápolis viveu tempos sombrios sob a influência política da família DAPÉ, período marcado por desmandos administrativos, apadrinhamentos políticos e práticas reiteradas de nepotismo, que corroeram a confiança da população nas instituições locais. Não se trata de retórica vazia, mas de uma memória recente que ainda sangra nos cofres públicos e na dignidade administrativa do município.
À época, uma emissora de rádio ligada ao grupo político transformou-se em celeiro de escândalos, acumulando denúncias, processos e condenações judiciais que jamais foram devidamente esclarecidas à sociedade. Hoje, paradoxalmente, os mesmos atores vestem o figurino de paladinos da moralidade, tentando ensinar aos eunapolitanos quem é ou não digno de voto.
O discurso atual mira em Robério Oliveira como se fosse um corpo estranho ao projeto político que dominou Eunápolis por anos. Mas a pergunta que precisa ser feita — e respondida com honestidade — é direta: **Cordélia Torres e Paulo Dapé são diferentes? Ou apenas convenientemente seletivos na memória que escolhem ativar?
Não se pode reescrever a história conforme a conveniência eleitoral do momento. A política exige coerência, responsabilidade e, sobretudo, respeito à inteligência do eleitor. Eunápolis não pode ser tratada como uma cidade de memória curta, onde os mesmos sobrenomes circulam entre cargos, promessas e discursos moralistas como se nada tivesse acontecido.
A democracia não se sustenta sobre amnésia coletiva. Sustenta-se sobre memória, responsabilidade e verdade. E a Eunápolis que sofreu com práticas políticas viciadas precisa decidir se vai repetir o passado — ou finalmente enfrentá-lo.




COMENTÁRIOS